(28/09/26)
Costumamos ouvir que devemos nos amar, nos respeitar e que, se não sentimos amor por nós mesmos, como podemos amar outras pessoas? Ao mesmo tempo, existe também a cobrança de que, quando nos priorizamos, podemos ser considerados egoístas.
Afinal, como equilibrar o amor por nós mesmos sem sermos tachados de egocêntricos? E, ao contrário, como evitar colocar os interesses dos outros sempre à frente dos nossos e acabarmos sobrecarregados e infelizes?
O bebê, quando nasce, depende completamente de outras pessoas para sobreviver. Precisa ser alimentado, aquecido, acolhido, protegido e ter suas necessidades atendidas. Quando sente fome, frio, desconforto ou qualquer outra necessidade, ele chora. Não faz isso por egoísmo ou para manipular quem está ao seu redor. Essa é a maneira que encontra para comunicar aquilo de que precisa.
Nos primeiros anos de vida, a criança ainda está desenvolvendo a capacidade de perceber que as outras pessoas também possuem necessidades, desejos e sentimentos próprios. Seu mundo é naturalmente muito centrado em suas próprias experiências. Ela quer o brinquedo naquele momento, deseja a atenção dos pais e espera ser atendida imediatamente. Aos poucos, porém, por meio das relações e das experiências, começa a compreender que nem sempre poderá ter o que deseja e que o outro também existe para além das suas próprias necessidades.
Esse processo é importante porque nos mostra que olhar para si e buscar atender às próprias necessidades não é, por si só, egoísmo. No início da vida, dependemos do cuidado do outro. Mais tarde, à medida que amadurecemos, aprendemos a reconhecer tanto o que precisamos quanto aquilo de que as pessoas ao nosso redor necessitam.
Talvez seja justamente aí que surja uma questão interessante: se aprendemos desde cedo a olhar para o outro, por que, na vida adulta, às vezes sentimos culpa quando olhamos para nós mesmos?
Essa culpa pode ter diferentes origens. Ela pode surgir, por exemplo, quando a pessoa cresce em um lar no qual suas necessidades são constantemente colocadas em segundo plano e aprende, desde cedo, que precisa se diminuir para receber afeto, aprovação ou atenção. Aprende a cuidar dos outros, evitar conflitos e renunciar a si mesma para preservar os vínculos.
Na vida adulta, quando começa a se priorizar, a se tratar com respeito e a estabelecer limites, inclusive se afastando de pessoas verdadeiramente egocêntricas, pode ser chamada de egoísta. Muitas vezes, porém, o que está fazendo não é deixar de se importar com os outros. Ela está apenas aprendendo a oferecer a si mesma o mesmo amor, respeito e consideração que, durante tanto tempo, ofereceu aos demais.
Muitos adultos continuam esperando do outro o mesmo tipo de cuidado que esperavam na infância: que sejam amados, valorizados, acolhidos e compreendidos, e que aquilo de que precisam seja percebido e atendido sem que precisem sequer expressá-lo. No entanto, à medida que amadurecemos, precisamos compreender que não podemos esperar do outro aquilo que também é nossa responsabilidade oferecer a nós mesmos.
Nutrir o amor-próprio significa aprender a nos olhar com acolhimento, respeito, gentileza e compaixão. Quando não recebemos, na infância, o amor e o cuidado de que precisávamos de nossos pais ou de outras figuras importantes, podemos, na vida adulta, desenvolver a capacidade de oferecer a nós mesmos aquilo que nos faltou. Isso significa reconhecer o que sentimos e precisamos, respeitar nossos limites, cuidar das nossas emoções e aprender a nos tratar com o mesmo carinho que gostaríamos de receber das outras pessoas.
Quando você se respeita e reconhece o próprio valor, transmite uma mensagem clara sobre quem é e sobre aquilo que aceita ou não em seus relacionamentos. O amor-próprio fortalece a autoconfiança e ajuda a estabelecer limites mais saudáveis, tornando menos provável que você aceite situações ou relações que estejam abaixo do que considera digno e respeitoso.
Por outro lado, quando existe uma necessidade intensa de aprovação, afeto ou validação externa, a pessoa pode se tornar mais vulnerável a relacionamentos desequilibrados e até a predadores emocionais, pessoas que identificam fragilidades e carências e procuram explorá-las em benefício próprio. Por isso, reconhecer nossas vulnerabilidades não é sinal de fraqueza, mas um passo importante para cuidar melhor de nós mesmos.
O autoconhecimento também é essencial nesse processo. Conhecer a si mesmo envolve reconhecer nossas qualidades, compreender nossas limitações, identificar nossas necessidades emocionais e perceber quais carências ainda precisam ser cuidadas e elaboradas. Quanto mais nos conhecemos e aprendemos a cuidar de nós mesmos, maiores são as chances de construir relacionamentos mais saudáveis, equilibrados e baseados em respeito e reciprocidade, não apenas na vida amorosa, mas em todas as áreas da vida.
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Redação Sabeis – X
Juliana Lima
Redação Sabeis – Bem-Estar